Estou tão cansado, que gostaria de imaginar que um táxi viria me levar pelo resto desta viagem, deixem-me ir, gostava tanto que o meu peso fosse suportado por esse veiculo, conduzido por alguém que não conheço e que não me conhece, com conversa fiada até ao fim da viagem, sem expectativas de nos conhecer-mos, gostava tanto, táxi leva-me daqui, tenho tanto frio, para bem longe, muito longe, mesmo muito longe, de forma a que ninguém me veja mais, me diga mais, me peça mais.Vejo a vida pela janela deste carro, lá fora -2, cá dentro bastante agradável, pego no caderno e começo a escrever, o sr. pergunta-me o que escrevo, eu digo algo, ele fica um pouco embasbacado a olhar para mim, eu escrevinho algo sobre as folhas caídas no passeio, abandonadas mas a criarem uma bela fotografia, as pessoas passam pisam-nas, sei bem o que sentem, ninguém pega uma ou duas e as adopta como planta de andar por casa, estão secas como e é claro não dão para regar, mas também merecem um pouco de água por isso é que também chove, para terem algo um conforto e um consolo que a mãe natureza lhe concede, depois de perderem ligação tão forte com a sua mãe, nisto o condutor repete a pergunta, que escreves agora, eu respondo que escrevo sobre as folhas caídas, mas que na realidade escrevo sobre tristeza e abandono, o olhar já de si sisudo do motorista cerra mais, deve pensar que sou maluco, se talvez mude de direcção e me deixe no hospital, e eu desenho a folha, sobre a folha, saberão ser irmãs nesta página, na próxima será uma relação nova, com a tinta da caneta, com outra história, com outro escape, talvez traga umas folhas, porque também merecem, isso lembra-me para onde vou? disse apenas ao taxista para me levar daqui.
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