segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Abrir mão....

Abrir mão, uma e outra vez... E mais outra.... E mais outra..... E a cada rodada deixar cada vez mais de mim, cada vez mais, e mais, e mais, e mais, até não restar nada, eu já não me reconheço, quem é este idiota amorfo, cara pálida, sorriso descaido, que me enfrenta todos os dias no espelho, onde estás? onde estou? gostava de me voltar a encontrar, gostava de ver de novo aquele por do sol, sentir a calma de uma voz que nos afaga noite fora, recuperar-me, para isso preciso de ajuda, preciso de encontrar a felicidade, não estou com pressa, mas adoro a sensação de não estar só, ter um abraço onde voltar, um abraço onde acordar, mas o que tenho eu a dar? o corpinho do Diogo de 16 anos? não, a alegria quase contagiante do de 6? não, a inteligência sensata do de 20? não, perdi-me, perdi-me muito, desapareci, agora no meu lugar está alguém que segue outra pessoa em medo da perder, que é isto? um idiota chapado, uma alma burra, sem noção do seu valor, sem nada, um gajo que fica de mau humor e só por isso todos os que o rodeiam pagam? Este idiota olha-me com aqueles olhos de carneiro mal morto todos os dias ao espelho, e eu só me apetece agarrar no taco de baseball e espancá-lo até a morte, devia morrer, devia morrer, idiota de merda, cabrão, onde deixei a minha ultima parte? só posso ter perdido a minha ultima parte agora, porque nunca me odiei tanto, e por falta de coragem tenho que viver assim, foda-se, com esta imagem que eu não sou, onde deixei a minha ultima parte? Se alguém viu partes de mim por favor importa-se de mas devolver? Obrigado....É que ando farto de abrir mão daquilo que gosto, ando mesmo farto de abrir a minha mão ao que adoro, de largar e nunca mais olhar para trás, estou tão cansado disso, e já abri mão de tanto, tanta coisa que me fazia feliz, e continuo a tentar achar substitutos para essas coisas que não posso ter, e acabo por me ferrar mais, não criar expectativas quando se tem tão pouco é dificil, muito dificil... A sério, eu não tenho o que tu tens, não tenho onde voltar, o que me espera todas as noites é uma casa vazia, ou com alguém que não chega para me aquecer, e todos os raios de sol para mim são poucos, e eu tento agarra-los a todos, com toda a minha força, e quando esses raios desaparecem, eu caio sem ter onde me agarrar, eu não queria criar expectativas, mas este ser, agarrou-se demasiado, e assim fiquei... Desculpa.... A sério se virem por ai pedaços de mim, devolvam preciso tanto deles..... Ficam então com o dedicado à pessoa com quem deixei a minha maior fatia.... directamente do meu primeiro livro...

Prefácio do primeiro capitulo: Sinto a tua falta
Sinto a tua falta, nas noites sem fim, naquelas em que não consigo dormir, sinto a tua falta, para te chatear, para te acordar, ouvir-te resmungar, para me sentir vivo e morrer por te magoar, sinto a tua falta, por que me sinto culpado, pisei-te quando devia ter-te erguido até ao pedestal, sinto a tua falta, por que me sinto sozinho e a melancolia mata-me a alma, sinto a tua falta, porque a religião é medrosa e porque eu sou infiel, sinto a tua falta porque a vida me maltrata todos os dias, sinto a tua falta, porque o tempo que passei sem te ver pareceu mais que anos, mais que dias, mais que horas, pareceu mais infinito eterno, pareceu tortura, pareceu a voz do erro no constante sussurrar do enumerar dos erros, erro 1, erro 2, quero ir onde vais, e navegar na tua sombra, na espera constante que me protejas que digas aos meus demónios que estão errados quando dizem o que não consigo fazer, quero que lhes digas que não, NÃO, ele consegue, eu acredito, quero que me mostres o orgulho, oh doce orgulho, mesmo quando nada de especial fiz, sinto a tua falta, morto dentro de mim, por te ter magoado, aceitei há muito o real valor do verbo desculpar, aceitei há muito não o dizer mais e antes o evitar, mas quando não consigo esquivar a mortal predilecção que a sua conjugação tem nas minhas frases, apenas digo sinto a tua falta.



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