sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Por do sol


numa praia pela zona de peniche... ela pergunta-lhe a pergunta que a resposta é tão simples... gostas de mim??? ele sorri, olha o mar, e o laranja do sol prestes a se deitar ilumina a sua expressão feliz, gosto... escusado seria dizer que ele a ama... escusado seria dizer que ele a quer... escusado seria dizer que aquele sorriso tolo era causado por ela... ela sem mais perguntas encosta a cabeça no seu ombro... e sorri também... tão simples gesto de mostrar amor... de mostrar-lhe que ela quer estar com ele... sem pensar no fim... nem no inicio... que apesar de tudo coincidia em data, com uma ligeira diferença... 2 anos mais tarde... e o sol progredia numa solene marcha até ao oceano atlântico... e ele olha à sua volta sem vislumbrar viva-alma... ela enrola-o num abraço adornado por beijos carinhosos no seu pescoço... ele sorri mais intensamente... ela também... e ai surge um beijo... maravilhoso... saboroso... e ambos embalados continuam... sem vontade nenhuma de parar... pelo menos não nos próximos minutos... deitam-se sobre duas toalhas... e de olhos fechados focam a alma um do outrol... as mãos perdidas um no outro... vagueam... provocam... desconcentram... o momento aquece para além da temperatura de 30 e tal graus... eles perdem-se um no outro... nos beijos em vários locais do corpo... e tudo aquece ao ponto que a roupa perde a sua vaga conecção com os corpos... os dois conectam-se... conectam-se da forma mais forte que conhecem... e assim ficam durante uma boa meia hora... alguns gemidos... apertos fortes... depois recompõem-se... ele deita-se de barriga para baixo a ver o por do sol... ao que ela corresponde recorrendo a uma caneta de feltro que ele tinha na mochila... escreve-lhe nas costas a tatuagem mais permanente que alguem pode fazer a outra pessoa... dedica-lhe amor... e mais momentos assim... deita-se sobre ele... junta os seus lábios ao seu ouvido e diz que o ama... depois diz... o horizonte é longiquo e inalcansável, não é? ele sorri... respira fundo... e diz, é, mas o que nos impede de tentar ultrapassá-lo? e assim ficam... até o sol desaparecer...

eles separaram-se... mas ficaram com este momento para recordar... para lhes trazer mais um por do sol quando as sombras procuram desconcertar as suas almas... ele voltou lá uns anos mais tarde... viu o por do sol... sozinho... e não o achou bonito... ela fez o por do sol brilhar muito mais... e chorou um pouco... porque devia... porque sabe que a felicidade perdida deve ser chorada...

esta história é real... e os corpos dos dois ainda estão deitados naquela praia... a ver um por do sol infinito... aqueles dois que agora não existem mais... amaram-se... e morreram amantes... antes de se tornarem noutras pessoas... e seguirem caminhos diferentes... chorar é bom... significa que temos algo a perder e que temos de lutar para manter... quero dizer a estas duas pessoas... obrigado... arigato namaste

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